sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Missas de Domingo: 29/01/2012


Forma extraordinária:

IV Domingo depois da Epifania

Senhor, salvai-nos, que perecemos!

Rm 13, 8-10; Mt 8, 23-27.

Perante a prece angustiosa dos seus, um só gesto soberano de sua mão criadora e logo os elementos desencadeados se acalmam.
Ao mesmo tempo que o Evangelho manifesta a divindade de Jesus e reclama de nós uma fé sempre crescente no seu poder divino, as orações deste domingo põem em realce a nossa fraqueza humana. Convidam-nos a implorar o socorro de que carecemos para ser sempre o que devemos ser, robustecermos a nossa vida sobrenatural e purificar-nos do pecado. Na barca dos Apóstolos, basta um gesto soberano de Jesus para acalmar o mar encapelado; a sua presença em nossa vida traz calma e segurança.
A epístola continua a exposição dos ensinamentos de São Paulo sobre os deveres do cristão. Relativamente ao próximo, resumem-se na caridade: seria impossível amar, de verdade, os outros, sem observar os mandamentos, que regulam as nossas relações com eles; amar o próximo é cumprir toda a Lei.

Romanos 13, 8-10: Ter-se-á em mente que o próximo pode ser qualquer um, mesmo um estranho, mesmo um inimigo. A ele se deverá amar e respeitar.

Mateus 8, 23-27: São Jerônimo compara este milagre àquele de Jonas, em que o profeta nos aparece dormindo tranquilamente, enquanto os outros se julgam perdidos. “Acordam-no; o homem de Deus dá ordens, e o seu sacrifício, símbolo de Cristo, liberta do perigo os que o despertaram”.

[Missal Romano Quotidiano. Biblica Bruges, Belgium, 1965, pág. 108-109 e 717]

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Forma ordinária:


IV Domingo do Tempo Comum

Ele ama infinitamente o homem

Dt 18, 15-20; 1 Cor 7, 32-35; Mc 1, 21-28.

Jesus se dirige aos seus primeiros discípulos no centro social e religioso de Cafarnaum: a sinagoga da cidade. Inicia seu ministério falando ao coração do seu povo, na solenidade do sábado. É o noivo de Israel que, invisível na sua identidade, vai ao encontro dos convivas. O texto de Marcos mostra que aqueles que o ouviam “se extasiavam com o seu ensinamento”. “Eksepléssonto”, imperfeito passivo do verbo (...) e significa “ficar atônito, assombrado, fazer uma pessoa perder os sentidos por algum sentimento forte como o medo, a admiração, ou até mesmo o júbilo” (Gould). É possível imaginar a sensação de alegria do povo ao ouvir Jesus. Diz o texto: “...porque lhes ensinava com autoridade e não como os escribas”.

Isto significa que Jesus ensinava de modo diferente do método rabínico de explicar as escrituras. Quando o texto diz que ele “ensinava com autoridade”, isto significa que não recorria à autoridade dos rabinos que haviam comentado anteriormente o texto em discussão. Pelo método rabínico, o comentarista deveria apoiar-se na autoridade de uma corrente de pensadores que antecedia em muitos séculos para que pudesse se tornar um texto “autorizado”. O método de Jesus será igualmente o da pregação dos primeiros cristãos.

No episódio de hoje, porém, algo de excepcional aconteceu dentro da Sinagoga e que Marcos julgou oportuno incluir em seu Evangelho. O texto narra que “um homem possuído por um espírito impuro” gritava procurando revelar a identidade divina de Jesus. A expressão “que queres conosco, Jesus de Nazaré” corresponde no original à antiga expressão hebraica: “que há entre mim e ti” (cf. Jo 2, 4).

O semitismo está presente em muitos textos onde a expressão (...) é utilizada. Na sinagoga de Nazaré se estabeleceu mais um combate entre Jesus e o maligno, representado na pessoa do homem possuído pelo espírito imundo. Trata-se de um combate público no qual o maligno queria antecipar a revelação da identidade de Jesus, como o Messias. As expressões “Que tens Tu conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus!”, refletem essa intenção.

Como se recorda, nas bodas em Caná da Galiléia Jesus utilizará essa expressão semítica para com sua mãe: “Mulher, que há entre mim e ti?” e, em seguida, acrescenta com ternura: “Ainda não chegou a minha hora” (cf. Jo 2, 4). O demônio não apenas diz, mas demonstra o conhecimento que tem sobre a atividade de Jesus: “o Santo de Deus”. Deus sempre foi chamado assim, no Antigo Testamento e até nos dias de hoje, evita-se a pronúncia do tetragrama sagrado e substitui-se por “o Santo”, ou simplesmente “o Nome”.

O conceito de santidade, presente em muitos textos do Antigo Testamento, indica separação. Quanto mais Deus se revela na sua santidade, mais o homem se revela na sua pequenez. Deus, porém, vem ao encontro do homem “com a sua santidade”. Por isso, o demônio queria antecipar os tempos messiânicos. Ele que já foi o protagonista da desgraça primordial, queria manter o caos e a desordem que provocou, tentando assim, impedir a realização do Plano salvífico do Pai. Trata-se de um momento de tensão que Jesus resolve com um imperativo enérgico. A esse combate Jesus entra já vitorioso.

Ele reúne os seus primeiríssimos discípulos, as colunas da Igreja que começava a ser delineada no horizonte da história. Se no jardim do Éden, os primeiros pais foram expulsos do paraíso, agora é a vez do causador do mal e da morte ser expulso daquele ambiente de paz e de união com Deus.

O episódio na Sinagoga revela exatamente isso. Dentro de uma congregação encontra-se aquele que é a desagregação (dia+bolos) por essência. Onde acontece a proclamação, a comunidade e a reunião são evidenciados o silêncio, o isolamento e a expulsão: “Cala-te e sai desse homem” (v. 25), diz Jesus com severidade. O demônio antes de deixar aquele homem, agita-o convulsivamente e, em seguida, retira-se com grande alarido.

A expressão é de admiração, isto é, espanto com entusiasmo por parte dos presentes. Quase deixando transparecer que aquele episódio fizesse parte da pregação, eles dizem: “Que é isto? Uma doutrina nova, e com autoridade! Manda nos espíritos imundos e eles lhe obedecem!” (v. 27).

Na Primeira leitura da liturgia de hoje, no livro do Deuteronômio, é revelada aos filhos de Israel a necessária profecia dentro da assembleia dos fiéis: “[O Senhor], teu Deus, suscitará um profeta como eu, no meio de ti, dentre os seus irmãos, e vós o ouvireis” (Dt 18, 15). Por isso, o centro da comunidade não pode ser um lugar de proclamação das pretensões diabólicas. É o lugar do homem que deseja ouvir a Palavra de Deus e proclamar as suas maravilhas. Jesus liberta aquele homem e a notícia desse seu gesto percorre toda a Galileia.

É um texto que nos diz muito. Um fato histórico nos mostra o amor sem medidas do Senhor pelo homem para que, desvencilhado de qualquer impedimento, possa glorificar a Deus na mais plena liberdade no meio dos seus irmãos e dentro da comunidade.

R. DIAS NETO

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