Um convite à alegria
Is 61, 1-2a.10-11; 1 Ts 5, 16-24; Jo 1, 6-8.19-24.
Is 61, 1-2a.10-11; 1 Ts 5, 16-24; Jo 1, 6-8.19-24.
Hoje, terceiro domingo do Advento, é o domingo da Alegria (também chamado Dominica Gaudete), e as nossas igrejas serão ornamentadas com rosas. Pode também ser o róseo a cor das vestes litúrgicas. Deste modo, o sinal penitencial do Advento (cor roxa), atenua-se (rosa) para indicar a proximidade do Natal. Por outro lado, a presença das rosas no altar indicam também a alegria espiritual pela próxima vinda do Senhor.
A Igreja nos convida à alegria. O apóstolo Paulo exorta os tessalonicenses com estas palavras: “Ficai sempre alegres. Orai sem cessar. Por tudo, dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito, em Cristo Jesus” (1Ts 5, 16). O texto paulino apresenta sete belíssimas frases (vv.16-22) quase desenhando a menorah – o candelabro com sete braços – cujas luzes devemos manter sempre acesas em nossa vida espiritual:
1. Alegrar-se sempre (v. 16);
2. Orar sem cessar (v. 17);
3. Por tudo, dar graças (v. 18);
4. Não extinguir o Espírito (v. 19);
5. Não desprezar as profecias (v. 20);
6. Discernir sobre tudo e escolher o que é bom (v. 21);
7. Evitar toda maldade (v. 22).
A luz central desta menorah imaginária, refere-se ao Espírito Santo (v. 19), particularmente aos dons concedidos aos seus fiéis. Estas luzes jamais devem ser apagadas. Assim, no Advento – que normalmente coincide com a Festa das Luzes no judaismo (Hannukhah), esta imagem paulina pode significar para nós um excelente programa para viver com intensidade o tempo de preparação para o Natal.
A luz do discernimento (v. 21) merece uma consideração particular. O significado do verbo “dokimázo” é aprovar após um teste. Algumas traduções trazem o significado de “discernimento” mas é ainda limitado. Ele deve ser entendido com o verbo seguinte, “katékho”(reter, manter, tomar posse de).
No que diz respeito à vivência espiritual, Paulo exorta a “manter, conservar” o que é bom – “ton kalon” (que significa igualmente “belo”). É o mandamento do encanto pelas coisas de Deus, uma vez discernidas daquilo que o mundo igualmente pode oferecer.
Está diretamente ligada à sétima luz desta menorah, no v. 22 que se trata de evitar toda maldade. A partícula eidon (eidos – visível, espécie, forma aparente, classe) está indicando as múltiplas possibilidades de malignidade (ponerou) que igualmente pedimos no “Pai Nosso”: mas livrai-nos do maligno.
A presença do Espírito Santo, na liturgia de hoje, é indicada desde a primeira leitura. Um texto conhecido lido por Jesus na Sinagoga de Nazaré (Lc 4, 18-19): “O Espírito do Senhor [Deus] está sobre mim, porque [o Senhor] me ungiu; enviou-me para anunciar a Boa Nova...» (Is 61, 1), onde a insistência do verbo “proclamar” domina o texto. De fato, o verbo [utilizado em hebraico], assume diversas traduções no contexto (proclamar, chamar, anunciar), mostrando a dinâmica e a força da Palavra de Deus que deve ser anunciada pela força do Espírito do Senhor.
Depois desse precioso prólogo, o Evangelho que será proclamado hoje, colocará em evidência a figura de João Batista. No texto joanino, o Precursor será a única testemunha no longo processo contra Jesus que vem apresentado desde as primeiras páginas. Ele repete com vigor que não é o Messias, nem Elias, nem “o Profeta” e nem quer passar por alguém que pudesse ter um direito jurídico sobre a sua pessoa (a figura da sandália que foi apresentada no domingo passado). João Batista se apresenta como “a voz que clama” e como “o amigo do esposo” (Lc 3, 29).
Esse mesmo versículo, um longo discurso de João Batista aos seus discípulos, fala da alegria do amigo do esposo ao ouvir a sua voz: “Essa é a minha alegria e ela é completa”, diz o Precursor.
Com a proximidade do Natal, estes pensamentos devem enfeitar o nosso Domingo. Também nós somos chamados a ser “amigos do Esposo” e sentir a imensa e completa alegria em ouvir a sua voz. Ele fala sempre conosco, principalmente através dos acontecimentos, das pequenas e quase imperceptíveis gentilezas de Deus durante o nosso dia. Ainda é tempo de vigilância. Podemos seguir as palavras de São Bento dirigidas àqueles que desejam entrar na Escola do serviço do Senhor: “Escuta, filho, os preceitos do Mestre e inclina o ouvido do teu coração” (Regula, 1).
A Igreja nos convida à alegria. O apóstolo Paulo exorta os tessalonicenses com estas palavras: “Ficai sempre alegres. Orai sem cessar. Por tudo, dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito, em Cristo Jesus” (1Ts 5, 16). O texto paulino apresenta sete belíssimas frases (vv.16-22) quase desenhando a menorah – o candelabro com sete braços – cujas luzes devemos manter sempre acesas em nossa vida espiritual:
1. Alegrar-se sempre (v. 16);
2. Orar sem cessar (v. 17);
3. Por tudo, dar graças (v. 18);
4. Não extinguir o Espírito (v. 19);
5. Não desprezar as profecias (v. 20);
6. Discernir sobre tudo e escolher o que é bom (v. 21);
7. Evitar toda maldade (v. 22).
A luz central desta menorah imaginária, refere-se ao Espírito Santo (v. 19), particularmente aos dons concedidos aos seus fiéis. Estas luzes jamais devem ser apagadas. Assim, no Advento – que normalmente coincide com a Festa das Luzes no judaismo (Hannukhah), esta imagem paulina pode significar para nós um excelente programa para viver com intensidade o tempo de preparação para o Natal.
A luz do discernimento (v. 21) merece uma consideração particular. O significado do verbo “dokimázo” é aprovar após um teste. Algumas traduções trazem o significado de “discernimento” mas é ainda limitado. Ele deve ser entendido com o verbo seguinte, “katékho”(reter, manter, tomar posse de).
No que diz respeito à vivência espiritual, Paulo exorta a “manter, conservar” o que é bom – “ton kalon” (que significa igualmente “belo”). É o mandamento do encanto pelas coisas de Deus, uma vez discernidas daquilo que o mundo igualmente pode oferecer.
Está diretamente ligada à sétima luz desta menorah, no v. 22 que se trata de evitar toda maldade. A partícula eidon (eidos – visível, espécie, forma aparente, classe) está indicando as múltiplas possibilidades de malignidade (ponerou) que igualmente pedimos no “Pai Nosso”: mas livrai-nos do maligno.
A presença do Espírito Santo, na liturgia de hoje, é indicada desde a primeira leitura. Um texto conhecido lido por Jesus na Sinagoga de Nazaré (Lc 4, 18-19): “O Espírito do Senhor [Deus] está sobre mim, porque [o Senhor] me ungiu; enviou-me para anunciar a Boa Nova...» (Is 61, 1), onde a insistência do verbo “proclamar” domina o texto. De fato, o verbo [utilizado em hebraico], assume diversas traduções no contexto (proclamar, chamar, anunciar), mostrando a dinâmica e a força da Palavra de Deus que deve ser anunciada pela força do Espírito do Senhor.
Depois desse precioso prólogo, o Evangelho que será proclamado hoje, colocará em evidência a figura de João Batista. No texto joanino, o Precursor será a única testemunha no longo processo contra Jesus que vem apresentado desde as primeiras páginas. Ele repete com vigor que não é o Messias, nem Elias, nem “o Profeta” e nem quer passar por alguém que pudesse ter um direito jurídico sobre a sua pessoa (a figura da sandália que foi apresentada no domingo passado). João Batista se apresenta como “a voz que clama” e como “o amigo do esposo” (Lc 3, 29).
Esse mesmo versículo, um longo discurso de João Batista aos seus discípulos, fala da alegria do amigo do esposo ao ouvir a sua voz: “Essa é a minha alegria e ela é completa”, diz o Precursor.
Com a proximidade do Natal, estes pensamentos devem enfeitar o nosso Domingo. Também nós somos chamados a ser “amigos do Esposo” e sentir a imensa e completa alegria em ouvir a sua voz. Ele fala sempre conosco, principalmente através dos acontecimentos, das pequenas e quase imperceptíveis gentilezas de Deus durante o nosso dia. Ainda é tempo de vigilância. Podemos seguir as palavras de São Bento dirigidas àqueles que desejam entrar na Escola do serviço do Senhor: “Escuta, filho, os preceitos do Mestre e inclina o ouvido do teu coração” (Regula, 1).
R. DIAS NETO
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